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Porque parece impossível controlar as suas emoções? O que a ciência revela sobre Ansiedade e Depressão

André Calcagno

Lidar com o esgotamento, a ansiedade crónica ou a depressão traz frequentemente uma sensação de impotência. Quando a sobrecarga emocional atinge o limite, é comum o paciente acreditar que o seu cérebro “quebrou” ou que perdeu definitivamente a capacidade de lidar com os próprios sentimentos. Mas será que a ciência corrobora esta crença?

Uma meta-análise recente e rigorosa, publicada na revista Clinical Psychology Review em 2026, investigou exatamente isso: a eficácia da implementação de estratégias de regulação emocional em pessoas com e sem perturbações mentais. O que a literatura científica nos mostra desmistifica muitas ideias do senso comum sobre o adoecimento psíquico e reforça os pilares das Práticas Baseadas em Evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).

Não perdeu a capacidade de se regular. Falta-lhe método.

Muitos pacientes chegam ao consultório a acreditar que são organicamente incapazes de lidar com o desconforto. No entanto, o estudo demonstrou que indivíduos diagnosticados com perturbações mentais são capazes de aplicar estratégias de regulação emocional com sucesso para reduzir o sofrimento, quer a nível experiencial quer fisiológico.

A ciência aponta que, quando instruídos no ambiente laboratorial, os pacientes com perturbações mentais conseguem regular as suas emoções de forma eficaz, embora com um efeito ligeiramente inferior ao de controlos saudáveis no que diz respeito à redução da experiência subjetiva negativa. Ou seja, o problema central não é uma falha estrutural incontornável, mas sim a necessidade de instrução técnica.

A diferença entre “Engolir o Choro” e a Mudança Cognitiva

Não basta tentar acalmar-se através da força de vontade. A meta-análise avaliou diferentes categorias de regulação emocional e confirmou que as estratégias de mudança cognitiva são as que apresentam os efeitos mais consistentes e fiáveis.

Isto inclui intervenções estruturadas, como a reestruturação cognitiva (mudar a forma como se interpreta o estímulo) e a aceitação. Por outro lado, estratégias focadas exclusivamente na modulação da resposta (como a supressão da expressão emocional, o vulgar “engolir o choro”) podem até gerar algum efeito a curto prazo, mas a literatura enfatiza que a supressão tem custos elevados a longo prazo para o bem-estar psicológico e perpetua os sintomas.

O poder do treino: porque é que ler dicas na internet não resolve

Uma das descobertas mais vitais desta investigação é que a eficácia da regulação emocional aumenta significativamente quando os participantes recebem um treino prévio sobre como usar a estratégia, em comparação com aqueles que apenas recebem a instrução teórica de como o fazer. Além disso, os resultados são superiores quando se utilizam estímulos específicos e clinicamente relevantes para a perturbação do próprio indivíduo.

Isto explica, de forma clara, porque é que ler frases de autoajuda ou “dicas rápidas” no ecrã do telemóvel não funciona para tratar a exaustão ou a ansiedade clínica. A regulação emocional não é um interruptor; é um repertório de habilidades que necessita de ser ativamente treinado.

O verdadeiro desafio: escolher a ferramenta certa no caos do quotidiano

Se o paciente consegue aplicar as técnicas com eficácia quando instruído em ambiente controlado, porque é que a vida real parece muito mais complexa?

A conclusão dos investigadores sugere que a relação entre a regulação emocional disfuncional e a psicopatologia parece resultar predominantemente de problemas na seleção da estratégia adequada ou na identificação da necessidade de regulação no dia a dia, e não de uma incapacidade inata de implementar as estratégias quando estas são ensinadas.

O grande desafio terapêutico não é provar que consegue regular-se, mas sim ajudá-lo a aperceber-se da desregulação antes do limite e treinar a seleção da técnica correta no meio do caos e dos stressores laborais. A saúde mental não consiste na ausência de emoções difíceis, mas na flexibilidade para agir de acordo com os seus valores apesar delas.

H3: Pronto para retomar o controle?

O enfrentamento da sobrecarga mental exige método clínico, não soluções mágicas. Se reconhece que necessita de ajuda qualificada, entre em contacto para agendarmos uma avaliação rigorosa e iniciarmos o seu processo de desenvolvimento terapêutico.

REENTS, M. F.; SCHROEDER, P. A.; WOLZ, I.; VAN DEN HOEK OSTENDE, M. M.; DOLDERER, M.; FARSHAD, M.; SVALDI, J. Efficacy of emotion regulation strategy implementation in and across mental disorders: A systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology Review, v. 125, art. 102718, fev. 2026. DOI: 10.1016/j.cpr.2026.102718. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.cpr.2026.102718.